A Casa dos Sábios surgiu pelo fato de que, desde criança, sempre me identifiquei com pessoas mais velhas, e sempre procurei escutar as conversas, histórias e conselhos dos idosos. Sempre procurei ter amigos mais velhos que eu. Sempre gostei de ficar na presença de meus avós e quase sempre dormia com eles. Tenho muitas boas lembranças dos meus avós, paternos como maternos. Procurei sempre freqüentar asilos, levando aos idosos a disposição e gosto em cortar cabelo, unhas, procurando deixá-los cada vez mais bonitos. Sempre gostei de fazer penteados, maquiagem etc. Levava ao menos uma vez ao mês a minha mala de equipamentos de cabeleireira para o asilo, para prepará-los para o final de semana onde os familiares iram vê-los.

Este projeto se iniciou quando o meu lado solidário pelo próximo necessitou uma estrutura mais concreta, devido os resultados não compensadores da caridade em si. Resolvi trabalhar com este projeto sem fins lucrativos e me dedicando diariamente; sendo assim, estaria mais presente nesta atividade acolhendo o idoso e oferecendo uma qualidade de vida melhor e melhorando sua auto-estima. Como freqüentadora e trabalhadora de uma casa de formação espírita, fui convidada por uma amiga a fazer um curso de pós-graduação em Psicologia Transpessoal, onde se abriu uma porta maravilhosa tendo o auto-conhecimento e a auto-confiança desabrochado em meu ser. A minha realização profissional como empresária e fundadora da Casa dos Sábios se deve a esta descoberta.

O nome Casa dos Sábios se deve a um sonho que tive durante uns dos seminários da pós-graduação. Nesse sonho eu me encontrava perdida, pedindo ajuda a um homem que não consigo descreve-lo e que este me mandou procurar um portão e onde estava escrito: “Casa dos Sábios”. Imediatamente, acordei e anotei este nome e que, a partir desse momento, nomeou o meu projeto. Este nome é tão original que desperta uma curiosidade admirável em inúmeras pessoas, todas querendo saber do que se trata.

E não muito tempo depois, em um outro seminário onde eu discutia sobre o fazer a monografia para a conclusão do curso, tive um outro sonho onde um mago apareceu para mim e fez uma pergunta assim: Roseli, do que o idoso tem medo? E eu respondi muito rapidamente: - da morte!!! Então, o mago me disse: - faça a sua monografia sobre este tema: morte!

Relacionando o meu trabalho com os idosos, cheguei à conclusão que realmente é um assunto de extrema necessidade para o meu dia-a-dia, pois a morte esta inserida na vida e a morte só se manifesta na vida, e acredito que podemos diminuir o peso da morte quando aumentamos a qualidade da vida. Tenho que mostrar no meu trabalho as maravilhas que a vida proporciona e que todos os dias temos algo para aprender, que o aprender não ocupa lugar, que somos tão perfeitos que aprendemos até com o sofrimento, que o aprender nos enobrece, nos encoraja, nos ilumina, e que quanto mais aprendemos sabemos que podemos aprender cada vez mais (ou quanto mais sei, sei que nada sei...).

A primeira tarefa que realizo diariamente pela manhã na Casa dos Sábios é perceber o acolhimento dos clientes na chegada, pelo entusiasmo ou pelo desânimo que eles apresentam, e a partir daí é que prossigo o meu dia na casa, pois, considero extremamente necessário dar as boas-vindas e ser intuída e perceptiva para poder oferecer qualidade e desempenhar tarefas para que o dia possa ser o melhor possível, sempre respeitando os interesses e as necessidades dos clientes.

Oferecemos várias atividades todos os dias, mas sempre respeitando a vontade e os limites dos clientes, não forçando a realizar os trabalhos se eles não estão dispostos. Procuro sempre fazer um grande círculo com os clientes e pedir para contar trechos de suas vidas, experiências que tiveram, dos amores que tiveram, dos desafios que enfrentaram e com isso vou anotando na medida do possível para que um dia, quem sabe, escrever um livro sobre a Casa dos Sábios. Li uma vez um artigo numa revista, onde estava escrito que os idosos são como uma grande biblioteca de grandes livros e que se não forem tocados, manuseados não podemos saber as estórias e ensinamentos que estão contidos lá dentro. Achei maravilhoso, porque o idoso se isola por diversas razões como vimos anteriormente, e que se não formos sensíveis a ponto de tocá-los, eles jamais virão ao nosso encontro para passar os seus grandes ensinamentos, conhecimentos e experiências de vida e, ainda mais, os seus grandes conselhos. Acredito que “não precisamos esperar pela eternidade para aperfeiçoar a nossa evolução se podemos aprender com os mais velhos e acelerar o nosso processo de evolução”.

Está em andamento para ser executado, um folheto para a divulgação e a distribuição pelo bairro com a programação da Casa dos Sábios e, também, a prestação de serviços que os clientes da Casa dos Sábios podem oferecer, como por exemplo, o Sr. Carneiro é aposentado em carpintaria e, sendo assim, qualquer serviço que necessite de conserto ou reparo ele se sentirá útil e satisfeito em poder dar continuidade em uma tarefa que ele tem todo o seu domínio e conhecimento. E outros afazeres, como o de Dona Belita, de 93 anos, que adora fazer barras de calça, e que por sinal faz muito bem, a comunidade do bairro possa saber que na Casa dos Sábios tem uma costureira de mão cheia e assim proporcionar um dia produtivo e feliz para a Dona Belita. E assim sucessivamente... Acredito que com essa divulgação dos trabalhos ajudará a oferecer aos idosos um dia feliz e manter sua auto-estima sempre em alta, pois eles terão consciência que ainda estão produzindo e ajudando os outros na Casa dos Sábios.

Meus critérios de seleção para os freqüentadores da Casa dos Sábios são simples e modestos, porque se trata de um projeto sem fins lucrativos que visa o idoso ocioso, solitário, onde a família ou o responsável tem que trabalhar e não tendo o tempo disponível para dar os devidos cuidados e atenção que o idoso necessita, sendo assim é requisitado o formulário preenchido com a anamnese do cliente e os dados da família ou responsável.

Também está incluído no meu projeto um relatório diário executado pela cuidadora, onde é registrado todo o comportamento do clientes como as suas atividades realizadas.

No programa da Casa dos Sábios está inserido a abordagem sobre o luto, morte e perdas, que através de palestras quinzenal e mensal com duração de 30 minutos e ao término da mesma fazemos perguntas e comentários onde podemos observar os participantes dando suas opiniões, chegando até a comentar seus próprios problemas, medos e tristezas, e através da nossa determinação em oferecer a nossa ajuda é que podemos amenizar o sofrimento do clientes mostrando aí a qualidade da vida, a valorização da vida, e até mencionar, na maioria das vezes, a importância da religião e falar de Deus como um todo.

Roseli Viudes