A Casa dos Sábios foi concebida, sobretudo, para poder oferecer ao idoso o acolhimento ideal e que possa se substanciar no conforto do convívio, no sorriso espontâneo e fraterno, na palavra amiga, no ouvir, nas diversas manifestações musicais, na alegria do ambiente, e, o mais importante, nas continuas expressões de amor e carinho.

É importante ressaltar o trabalho que está se realizando em fazer prestação de serviços a outras instituições (como uma “ponte”) utilizando a mão-de-obra dos idosos e seus conhecimentos para auxiliarem outros projetos, assim como: Pintura Solidária, onde os idosos trabalham no preparo das telas para oferecê-las às crianças de diversas instituições que desejam fazer pinturas. Outra atividade que está sendo estimulada é a de conserto de brinquedos quebrados. Em ambas as atividades, chega a impressionar a vontade dos participantes em ajudar a causa e de se sentirem úteis.

Todas as manhãs se faz os agradecimentos a Deus e também se pede muita proteção a Ele pelo bem-estar e saúde de todos. Através dessa atividade focamos sempre uma leitura saudável onde procuramos estimular os valores cristãos, e também fica estipulado para o dia seguinte trazer uma mensagem bonita para ser lida perante a família da Casa dos Sábios. Acreditamos ser um recurso muito sutil, porque, através deste, se pode exigir um contato e ajuda dos familiares devido as limitações inerente da própria idade.

O progressivo aumento da população idosa leva estudiosos da área da geriatria e gerontologia a investigar os meios de inserção dessa população na sociedade. À medida que os anos passam o organismo humano sofre modificações significativas, a degenerescência orgânica se instala, os problemas de saúde aparecem e o idoso passa a enfrentar limitações na realização das atividades da vida diária.

A velhice é uma fase da vida, na qual as patologias, gradativamente, vão ocorrendo. Visando prolongar o tempo de vida com saúde, é necessário que o idoso, continuamente, mantenha-se realizando atividades físicas e participando da vida social.

Estudos realizados mostram que a participação dos idosos em grupos de atividades contribui para o seu cotidiano, em relação à saúde, bem-estar físico e mental, auto-estima, aceitação da velhice e suas limitações.

É sabido que o sentimento de solidão, inutilidade, incapacidade e desesperança permeiam a vida da pessoa idosa. Buscando amenizar estes sentimentos, os idosos são estimulados pelos próprios parentes a freqüentar grupos de terceira idade, pois estes oferecem espaço para compartilhar suas vivências, pois sabe-se também que os idosos têm necessidade de participar das atividades de lazer para não se sentirem sozinhos.

Ter um grupo de referência, no qual se possa compartilhar alegrias, tristezas, conhecimentos, entre outros, propicia ao idoso um suporte emocional e motivação para que este indivíduo tenha objetivos em sua vida. O idoso parece se programar para o próximo encontro. A participação de idosos nos grupos de convivência, leva a um aprendizado, uma vez que compartilham idéias, experiências e, também, ocorre reflexão sobre o cotidiano da vida dessas pessoas.

Ao ingressar em um grupo de convivência, tanto a pessoa idosa como seus familiares, buscam a valorização do idoso como indivíduo socialmente útil, com possibilidade de resgatar sua cidadania. Considerando que todos os indivíduos têm necessidade de suporte familiar e social, ao serem questionados sobre com quem podem contar efetivamente, quando têm algum problema, manifestam que são os amigos, os irmãos, os filhos (nessa ordem). Com relação às mulheres, sua participação é estimulada mais pelos filhos ou, ainda, irmãos mais novos, pois a maioria é viúva (há algumas poucas solteiras), como mencionam os seus registros. A participação das pessoas idosas, principalmente as mulheres, nos grupos de convivência reflete a melhoria das relações domiciliares, além da possibilidade de melhorar a qualidade de vida dessas pessoas.

O envelhecimento provoca alterações orgânicas, reduzindo a capacidade do idoso, impedindo-o de realizar atividades cotidianas. Estudos sobre qualidade de vida na velhice afirmam que “uma das maneiras do indivíduo avaliar o seu estado de saúde é basear-se no seu desempenho próprio, ou seja, na sua capacidade de desenvolver suas atividades cotidianas”. A possibilidade de manter vínculo de amizade com outras pessoas, dialogar e compartilhar os problemas, que comumente estão presentes na vida desses indivíduos, pode favorecer melhores resultados na sua saúde mental. Ao freqüentar um grupo o idoso encontra um espaço em que se pode partilhar afetos, como amor, amizade e isto pode tanto se refletir no relacionamento com a família como na própria disposição física.

Participar de atividades programadas para serem desenvolvidas em grupo faz com que o idoso pertença a um espaço no qual seus integrantes caracterizam-se pela vontade de envelhecer ativamente, utilizando o tempo livre. A imagem de uma velhice monótona, sofrida, estereotipada perde aos poucos sua força, a partir do momento em que as pessoas passam a freqüentar espaços sociais, adquirem conhecimentos e compartilham seus saberes. A interação que ocorre entre os componentes de um grupo é o que centraliza sua atividade. A possibilidade de conhecer novas pessoas, construir amizades, realizar diversas tarefas, divertir-se entre outras razões, são mudanças apontadas pelos entrevistados que os induz a continuar participando do grupo, bem como estimular outras pessoas para que o freqüentem.